Esse é um dos primeiros textos que escrevo aqui sobre esse assunto. Acho que estava precisando falar um pouco disso. Dividir é sempre bom.
Hoje estou fora do rádio para cuidar da voz. Não estou no ar, fazendo o que gosto. Tive que parar. Parece ruim, né? Mas não é. Ganhei um tempo pra ouvir mais. E olhar melhor pra tudo. Eu estou vivendo há alguns anos um ritmo de vida acelerado, corrido. Coisa de 10 anos. Engraçado: faz mais ou menos há 10 anos que encontrei o rádio como profissão. Desde então dispensei muito suor, sono e lágrimas ao rádio. Faz uns 11 anos que fui convidado a conhecer um estúdio de rádio e no momento em que entrei nele meu coração disparou e eu pensei: é o que eu quero fazer da minha vida. Lembro como hoje. Meu primeiro programa tinha 2 horas por dia. Hoje em dia dedico bem mais que 12 horas do meu dia ao rádio. Olha como isso tomou conta de minha vida. Nesse meio tempo aprendi muito, lutei muito, deixei muitas coisas de lado, ganhei e perdi. E puder ver muitas coisas que pensei que não existiam nesse meio de vida. E só agora, 10 anos depois tenho que parar pra analisar um pouco tudo isso. Só agora tenho tempo.
Aí você me pergunta: e aí? Chegou a alguma conclusão?
Poucas. Tenho muito que aprender. Ainda estou no começo desse processo, mas já pude notar algumas coisas. Primeira: o rádio nada mais é que um amplificador. Cria verdades e pode dar luz à muitas coisas. O que passa por ele é que vai fazer a diferença pra quem está do outro lado. Pro bem ou pro mal. Aí depende do que você quer fazer e, principalmente do que você PODE fazer. As limitações são muitas. Sempre existem interesses por trás de tudo. Cabe a cada um achar uma forma de propagar seu conteúdo dentro das limitações que são impostas. Preferencialmente para o bem, por que amplificar alguma coisa pode ser muito perigoso. Essa tem que ser uma análise diária, muito crítica e que exige ética e bom senso.
Outra conclusão. O rádio não perdoa. Se você não enxergar o mais importante, ou seja, que cada ouvinte é único e fundamental pra que uma rádio exista, esqueça. Você vai perder muitos ouvidos atentos. Você fala pra milhares de pessoas, mas cada um te ouve de uma unica vez. É muito mais fácil perder um amigo do que conquistá-lo de vez. Isso demanda esforço e humildade pra saber o que ele quer de você. Não tem espaço pra vaidades. Ah, e como elas existem nesse meio. E vaidade é uma perda de tempo danada, pois te cega para as coisas mais importantes.
Mais uma: a audiência vai mudando suas expectativas e exigências com o tempo. O que queria um ouvinte de rádio há 10 anos atrás não é o que quer o ouvinte de hoje. Ainda bem, pois isso dá a oportunidade da gente ter que rever nossos conceitos e procurar o conteúdo e o modo de fazer que mais se adequar ao que as pessoas querem. Pena que muita gente demora pra ver isso. Aí, meu amigo, já é tarde. O rádio não perdoa, lembra?
E pra encerrar a conclusão mais importante nessa leva: rádio é equipe. Só uma equipe motivada, igualitária, organizada e bem liderada pode levar uma rádio pra frente. O conjunto da obra só é próximo da perfeição com a participação efetiva de todos. Essa é a verdade. Se um falhar, já era. E como isso é difícil de conseguir, por que exige uma renúncia de todos os egos da equipe em nome de um bem maior. Poucos conseguem isso. É um dom pouco comum. Saber tirar e valorizar o melhor de cada um é a fórmula do sucesso nesse processo. Feliz do dono de emissora que possui alguém assim na sua equipe.
Agora vou aproveitar meu tempo livre pra descobrir mais. Só pra constar, essas são algumas de minhas conclusões pessoais (e provisórias, como tudo na vida) sobre o assunto. Tenho uma caminhada muuuito longa pela frente.
Obrigado pela audiência! Até a próxima.
Pesquisando sobre o otimismo, me deparei com esse texto maravilhoso. Parabéns Celso Costa, você tem muitos dons e espero que continue compartilhando todos eles, com todas as pessoas que cruzam o seu caminho de alguma forma. Nada é por acaso, um grande abraço de alguém que acaba de virar sua fã.